Precisamos falar sobre a série Hannibal, Parte I

Hannibal, uma série aclamada pelo público e pela crítica, criou legiões de fãs mundo afora, consolidando-se como uma das maiores séries cult de todos os tempos. Idealizada e produzida por Bryan Fuller, a série foi exibida no canal norte-americano NBC, em 2013. Com três temporadas, a série foi cancelada, deixando até hoje, fãs ávidos por uma continuação.

Uma trama que fala sobre a maldade humana em seu último estágio, encarnado em Hannibal. Tendo como pano de fundo a filosofia, psicologia, psiquiatria, além de muitos aspectos ligado ao trabalho forense. O personagem Hannibal, não só mata, mas usa suas vítimas como uma espécie de “arte”, dotes culinários, que engloba discussões acerca da vida e da morte. Sua loucura, extrapola os limites sociais, fazendo com que, o leitor questione a realidade a sua volta. Para falar da série, primeiro, não podemos deixar de entender (se ainda não conhece) os livros, que deram origem ao mito do psiquiatra canibal. Nesta primeira parte, irei dar um panorama geral dos livros e dos derivados, buscando aprimorar a compreensão da série.

Hannibal

A origem

Thomas Harris nasceu em 1940, em Jackson, no Estado do Mississipi. Estudou na Universidade de Baylor, no Texas. Também trabalhou como repórter no News Tribune. Após formado, em 1964, Harris faz uma viagem para Europa, e quando retorna para a America, começa a trabalhar para uma agencia de noticias. Lá, ele passa a ter contato com a realidade do submundo americano. Inspirado por uma realidade obscura e patológica da mente humana, Harris pública, com ajuda de dois colegas, seu primeiro romance intitulado Black Sunday em 1975. Obra que conta o drama de um grupo de terroristas islâmicos, que dirigindo um carro bomba, tem como alvo, um evento desportivo. Com o sucesso do livro, houve uma adaptação da obra para filme, de mesmo nome, no ano de 1977.

Hannibal

Seis anos depois, em 1981, Thomas Harris publica Red Dragon (O Dragão Vermelho, no Brasil) A história nos apresenta um agente do FBI, Will Graham, na caça de um assassino em série, o psiquiatra Hannibal Lecter. Com um passado terrível, Hannibal enlouquece e passa a matar pessoas com requintes de crueldade, além de come-las depois. Ou seja, nesta primeira obra, Hannibal já esta sendo perseguido por Will. O livro foi adaptado para o cinema, com o nome de Manhunter (O Caçador de Assassinos, no Brasil), dirigido por Dino De Laurenttis.

Hannibal, uma história da maldade

Em 1988, é lançado O Silêncio dos Inocentes, com Hannibal já preso, ajudando a agente do FBI, Clarice Starling, a perseguir um outro psicopata, o famoso Buffalo Bill. A obra também rendeu um filme, de mesmo título, dirigido por Jonathan Demme, em 1991. Além disso, foi esta adaptação, a grande responsável por popularizar a história do psiquiatra canibal, levando o prêmio de melhor filme, no Oscar de 1992. Sendo o terceiro longa metragem, a ganhar cinco prêmios no evento (por melhor Diretor, melhor Filme, melhor Atriz, melhor Ator e melhor Roteiro Adaptado). Ainda, consagrou Anthony Hopkins, na pele do psiquiatra psicopata Hannibal e Jodie Foster, como a agente estagiária do FBI. Foi também considerado o melhor filme de terror, depois de “O Exorcista” de 1973.

Hannibal

Posteriormente, em 1999, é lançado o livro Hannibal contando sua fulga. Em 2006, no controverso Hannibal Origem do Mal, Harris teve que publicar um livro explicando as origens do psiquiatra canibal, visto que, sua obra já corria o risco de ser interpretada assim, de qualquer jeito.  Um desfecho que não agradou nada, muito dos fãs, mas que encerra o legado de um dos livros mais icônicos de todos os tempos.

A quadrilogia do mal e o retorno em 2013

Com quatro livros lançados, e cinco filmes, Hannibal, entre erros e acertos, conseguiu se consolidar como uma das maiores obras no universo do terror. E para quem ainda não leu, já deve ter percebido que, Harris contou a história anacronicamente, ou seja, o primeiro livro, O Dragão Vermelho, já remonta a perseguição de Hannibal, enquanto o último livro, Hannibal, a origem do mal, conta seu passado, desde da infância. Isso teve grandes efeitos, tanto na mudança do olhar do autor, quanto na recepção do público.

Em 2013, o diretor Bryan Fuller, dá vida a história para televisão, e decide contar a trajetória de Hannibal jovem, na pele do excelente ator, Mads Mikkelsen. A série buscou intensificar a tensão vivida por Will Graham (Hugh Dancy), e sua relação turbulenta com o psiquiatra canibal. Com censura quase nula, Fuller usa de cenas fortes (explícitas) e texto denso, para explicar a relação das personagens, vítimas e pessoas próximas a Hannibal. Todos perfeitamente manipulados por ele.

A série buscou unir em um só pacote, todo o material de Harris.  Trazendo uma releitura inovadora, verossímil e profunda, do universo da saga, com direção e elenco de tirar o fôlego. Uma produção que elevou o nível da trama e marcou a televisão, infelizmente cancelada na terceira temporada. Existe hoje, muita especulação e interesse da equipe e do público, em prosseguir com o projeto, mas nada confirmado ainda. No próximo post, irei analisar aspectos e conceitos traduzidos pelo diretor na série. Conceitos tão necessários para interpretar a mente do psicopata, que aterrorizou uma geração.

Autor

Tulio Cross
Tulio Cross

Formando em Museologia na UFMG. Se interessa pelas relações dos museus e cineclubes como espaços emblemáticos e patrimoniais. Ama filmes clássicos, jogos e música. Atualmente flerta com a Filosofia.