Crítica Melancolia

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Melancolia

Sinopse

Um planeta chamado Melancolia está prestes a colidir com a Terra, o que resultaria em sua destruição por completo. Neste contexto Justine (Kirsten Dunst) está prestes a se casar com Michael (Alexander Skarsgard). Ela recebe a ajuda de sua irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg), que juntamente com seu marido John (Kiefer Sutherland) realiza uma festa suntuosa para a comemoração.

Parte 1- Justine

No Filme “Melancolia” a polêmica em pessoa, Lars Von Trier, nos entrega um filme repleto de simbolismos e técnicas singulares para seu filme Melancolia. Que, segundo o diretor faz parte de uma trilogia intitulada de Trilogia da Depressão, composta pelos filmes Anti Cristo  (2009) Melancolia (2011) e Ninfomaníaca (2013) . Após o profundo e perturbador Anti Cristo, Melancolia nos traz uma história também psicologicamente aterrorizante. A história é sobre um planeta chamado Melancolia que está prestes a acertar a terra. Nesse cenário pré-apocalíptico, Justine (Kirsten Dunst) irá se casar e assim como o mundo, seu casamento não parece ter futuro. O filme é divido em duas partes se focando em Justine e sua irmã mais velha, Claire (Charlotte Gainsbourg).

Melancolia

O casamento de Justine como patamar de felicidade e sucesso.

O filme Melancolia assim como todos os filmes de Trier, pode ser comparado a uma alegoria pintada em uma grande tela. Cada personagem nele pintado, não é um mero retrato, mas sim um símbolo problemático, vivo e cheio de questões. Justine é o desenho da loucura e depressão. Ela é o estereotipo de perfeição de toda mulher moderna. Publicitária de sucesso e com um casamento perfeito, Justine tinha tudo para ser alguém contente com a própria vida. Mas o que vemos aos poucos, é que Justine não queria nada disso pois, nem o emprego e nem o casamento supera a sua dor, seu vazio existencial

Justine parece ter se agarrado no casamento luxuoso como uma fuga de sua profunda depressão. Mas o que vemos é a tragédia que isso irá levá-la. A noite do casamento não só serviu para abrir ainda mais a ferida de Justine, mas também serviu para revelar  a angustia da noiva. A protagonista passa a ter crises de mal estar e passa desesperadamente buscar sentido na sua própria vida em plena festa.

Melancolia

A capa de Melancolia faz uma clara alusão a pintura de Ofélia (Shakespeare) de John Everett Millais. Um retrato da loucura, e do suicídio.

O casamento então aqui serve como um bote expiatório de uma vida artificial e as pessoas como mero produto. A vinda do planeta Melancolia vai justamente representar a consequencia social disso, ele é a vinda do mal estar coletivo. Justine passa a ter comportamentos de auto-sabotagem que destroem o casamento e deixa todos decepcionados. Claire depositava toda sua expectativa no casamento da irmã e foi ela a maior decepcionada. Ao ter um casamento acabado antes mesmo de começar, Justine finalmente acaba aceitando sua depressão e a vinda de Melancolia.

Parte 2 Claire

Clair sempre cuidou da  irmã Justine, uma mulher dedicada á família, lugar onde deposita todas as suas esperanças. Ao contrario de Justine, Claire não se sente desconfortável com a vida que leva, inclusive ela acata e obedece as convenções sociais, sem questionar. O marido John (Kiefer Sutherland), que financiou todo o casamento, odeia Justine por ela não compensar o preço do seu investimento no evento, segundo ele, a compensação seria ela estar feliz. Neste contexto, John representa a visão puramente capitalista de mundo, onde tudo é comprável ate mesmo a felicidade, por isso não há espaço para fracassos. Também pareceu que ele estava mais interessado especificamente no êxito da festa em si, do que com o bem estar da cunhada.

Melancolia

Justine é a extrema desconstrução da mulher moderna padronizada .

Por outro lado, John também um cientista, deposita suas esperanças na ciência e de que os estudos de Melancolia garantem que não haverá colisão com a terra. Já sua esposa Claire, parece não estar muito convencida demonstrando constantemente aflição e ansiedade. O final do filme é simbólico, Justine e Claire e seu filho terminam na “caverna” de gravetos esperando o fim.

Melancolia

O mito da caverna de Platão é desenhado na ultima cena para libertar os personagens das convenções sociais. Uma morte simbólica.

Justine aceita Melancolia como unica forma de se livrar de sua vida sem sentido . Claire se angustia até o último minuto se agarrando a cada segundo no desespero e negação. E o garoto continua acreditando que tudo não passava de uma brincadeira no jardim, a personificação da inocência. Até aqui Lars von Trier demonstra que não teve medo de expor com maestria um filme que foge do convencional, e indo a fundo em um tema muitas vezes desagradável. Ao ser muito elogiado nos festivais que passou, “Melancolia” com certeza já é uma obra consagrada do cinema.

Autor

Tulio Cross
Tulio Cross

Formando em Museologia na UFMG. Se interessa pelas relações dos museus e cineclubes como espaços emblemáticos e patrimoniais. Ama filmes clássicos, jogos e música. Atualmente flerta com a Filosofia.


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