Crítica La la land

Crítica La laland

Sinopse

Ao chegar em Los Angeles, o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a atriz iniciante Mia (Emma Stone) e os dois se apaixonam perdidamente. Em busca de oportunidades para suas carreiras na competitiva cidade, os jovens tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo.

Sonho por sonho, realidade por realidade

O cinema diversas vezes acompanha a realidade. Seja traduzindo para as telas algum fato recente ou fazendo alguma referência subliminar. Obviamente que nem todo filme é obrigado a fazer isso, no entanto o que chama atenção é como “La La land” apareceu nos Estados Unidos em um momento político tão crítico e com o objetivo de falar quase nada. Com 11 indicações ao Oscar precisamos refletir sobre o que anda acontecendo.

O tema central do filme é a busca pela realização por um sonho. O pianista Sebastian (Ryan Gosling) fracassado que almeja ter seu próprio club de Jazz e uma garçonete aspirante a atriz, Mia (Emma Stone), correm atrás dos seus objetivos mesmo que suas vidas sejam uma completa bagunça. Mas aqui os sonhos ganha uma dimensão super estimada e como praxe dos musicais, valoriza mais a estética do que o desenvolvimento do roteiro em si, mas a história é por vezes fraca e previsível. O curioso é analisar como os obstáculos são apresentados diante dos personagens e como eles tentam resolve-los, e é onde “La La land” fracassa vergonhosamente.

Crítica La la land

Filme parece mais uma caricatura de si mesmo.

Se pararmos para pensar o casal é o perfeito retrato do cidadão americano comum classe média, que tem um emprego regular e possuem ambições. Mas Mia e  Sebastian têm em comum uma falta de lente mais realista para a vida, é uma dificuldade colossal de enxergar o óbvio. Todos os dois buscam soluções quase que inúteis e nada práticas para alcançar aquilo que almejam. Talvez a intenção fosse mostrar o quanto são perdidos, mas acho que abusar disso fez com que o filme parecesse diversas vezes enfadonho, como se toda a solução fosse simplesmente sonhar e cantar.

Um otimismo bobo e desgastado, com uma trama clichê e um casal estereotipado já datado. Diante de uma realidade cruel e competitiva é preciso muito mais que carisma para se chegar ao topo e isso o casal de protagonista não conseguiu mostrar. Afinal de contas o mundo não está nem ai pros seus sonhos. Milhares de pessoas talentosas tiveram sonhos e não conseguiram chegar no topo de Hollywood, é preciso fazer o mundo se interessar por você e não o contrário.

Um casal de frustrações

Parece que os protagonistas se uniram apenas para juntar problemas e angustias e nada fazem. Mia sai de seu emprego de garçonete para pasme, apostar em uma carreira de teatro que nem começou ainda apenas para perceber que não ia dar certo. Já o pianista teve que se contentar em se juntar a uma banda, que ironicamente pertence ao personagem do cantor John Legend. A banda ainda possui um estilo musical que Sebastian não gosta, mas acaba trabalhando nela para sobreviver. O casal acaba se dando conta por fim, que não se vive de sonhos. Mas acabam não se suportando e se separando.

Crítica La la land

A todo momento o filme tenta emplacar simpatia mas não consegue.

Aquela velha trama do plot twist romântico em que gira em torno da volta do casal também acontece, no entanto o diretor decidiu piorar a coisa toda. Mia e seu pianista se separam e tomam rumos diferentes após ela ter conseguido o papel em um filme depois de um monologo dramático. Casada e com filho de outro cara, uma bela noite eles decidem ir jantar e entram em um bar de jazz que é justamente o de Sebastian. Aqui nos aproximamos do fim mas com uma pitada de confusão.

Moral da história

Mia conseguiu realizar seu sonho de ser atriz e Sebastian acabou virando dono do club que tanto queria para “salvar o Jazz”. Com uma longa cena onde os dois dançam em meio a efeitos especiais, flashs e cenas paralelas com os dois são mostrados. Com uma casa, carreira e filhos Mia e Sebastian parecem viver uma vida perfeita. Mas após tanto devaneio descobrimos que tudo não passava de uma imaginação de Mia ao ver o ex no club. Desesperada pede ao marido para irem embora e o filme se prepara para acabar.

Crítica La la land

Filme se perde do meio pro fim, e o sentido cai por água abaixo.

Não sabemos direito se o filme é otimista ou não, afinal eles conseguiram mesmo o que queriam? Essa reflexão deve ser feita com cuidado já que o roteiro não foi mesmo o forte aqui. Ficou parecendo mesmo que tudo foi conseguido por sorte, por mais que Mia se esforçasse durante 6 anos em audições incessantes, ela poderia ter simplesmente ter feito o monologo e a diretora que a contratou teria aparecido e gostado dela. Já Sebastian, não é todo mundo que encontra um John Legend por ai para tentar “salvar o Jazz”. Obviamente no contexto do filme a participação do cantor é de um musico comum (mesmo que com muita relevância?), mas sua atuação canastrona só fez piorar ainda mais o que já estava ruim.

Além de uma coleção insuportável de caras e bocas Ryan e Emma não emplacaram como casal e o filme acabou ficando no esmero de cenas coreografadas e cantadas. Um final que não disse nada e só mostrou o quanto Chazelle foi pretensioso achando que um filme musical não precisa de um roteiro que o mantenha. “La La land” entrou para o hall de recordistas de indicações, mas felizmente não será um clássico e poderá ser facilmente esquecido. O mesmo não acontece com os premiados musicais “Chicago” ou o esplendoroso “Moulin Rouge”. Esperamos que no Oscar do ano que vem não tenhamos mais uma surpresa escapista como foi a deste filme. E agradeço que Emma Watson tenha rejeitado este filme, uma sábia decisão.