Crítica Amantes Eternos

Crítica Amantes Eternos

Sinopse

Frustrado a deprimido após um tempo entregue a rotina humana, o vampiro Adam (Tom Hiddleston) reencontra sua amante secular, Eve (Tilda Swinton), para juntos se dedicarem a prazeres mundanos em uma romântica jornada de Detroit e Tânger. A história de amor da dupla já perdura a vários séculos, mas seus novos projetos logo são interrompidos pela chegada de Ava (Mia Wasikowska), a incontrolável irmã mais nova de Eve. Pouco entusiasmada com o código de conduta de seus anfitriões, a jovem em pouco tempo coloca a prova algumas das antigas leis vampirescas.

Hedonismo e muito sangue

Um delicioso e sanguinário filme, Amantes eternos nos apresenta um casal de vampiros mais humanos do que nunca. O vampiro artista e intelectual Adam é quase um erudito dos tempos modernos. Vive recluso em algum mausoléu de Detroit, compondo letras de rock depressivas. Rodeado pelo clima vintage e equipamentos antigos, sua vida monótona e sombria está lhe causando uma terrível angústia. Mas nem sempre foi assim, Adam já viveu sua vida de várias formas e até mesmo como um grande ‘Rockstar’. Mas sua decepção com a humanidade lhe causa um mal estar profundo. E por isso pede a seu fiel servo para lhe arranjar uma arma e pistola de madeira.

Crítica Amantes eternos foto

Perfeito entrosamento de Tilda Swinton e Tom Hiddleston como um casal sedento por sangue.

A apaixonada e apaixonante Eve também é uma vampira veterana de séculos atrás e vive em Tânger. Rodeada de livros e especiarias, parece mais uma boa “bon vivant” de eras passadas. O inicio do filme nos revela como cada um dos dois sobrevivem e como conseguem sangue, até o momento que Eva sente saudades de seu amado e decide cruzar o oceano para ir velo. Temos então tecnicamente o gatilho da trama.

Um futuro nada promissor para a humanidade

Com uma trilha sonora sombria e majestosa vamos sendo imergidos no mundo do casal de vampiros. Hora o mundo de Adam, hora o de Eve (Um trocadilho bíblico com os nomes dos famosos personagens Adão e Eva) parecem ter saído do paraíso do séc XVIII para ir ao inferno do mundo contemporâneo. As mudanças tecnológicas e sociais parecem incomodar inteiramente as criaturas das trevas, principalmente Adam que possui graves problemas de adaptação. Ao longo do filme descobrimos também que os humanos estão em extinção graças a falta dos recursos naturais. A guerra pela água já começou e os humanos sobreviventes são carinhosamente chamados de zumbis pelos vampiros.

Crítica Amantes Eternos

Vai um picolé de sangue ai?

A forma intima com que somos levados ao mundo dos vampiros, nos mostra como terrível pode ser viver eternamente em um futuro de calamidade. Adam se preocupa com a evolução científica e faz diversas conjecturas, apavorado pelas controvérsias humanas e alguns regressos. Cita vários cientistas do passado queimados e punidos pela igreja católica, além de fazer piadas e trocadilhos referentes ao engraçado revisionismo criacionista.

Vampiros á moda existencial

Com a chegada de Eve, o contraste de modo de vida com Adam é gritante. Eve valoriza sua vida e seu tempo de sobrevivência como um troféu. Já Adam está farto de viver. A interação dos amantes está pra lá de espetacular. Tilda e Tom acertaram em cheio a interação intima do casal. Aos poucos Eve distrai Adam da ideia de suicídio, até que sua irmã caçula e hiperativa Ava (Mia Wasikowska) chega para atormentar o casal. Ava não parece se importar com tudo que acontece a sua volta. Ela apenas busca por prazer insanamente e isso faz com Adam se irrite constantemente.

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A fantástica participação de Mia Wasikoswka (Alice Através do Espelho, 2016 ) completa o trio de vampiros com uma química perfeita.

Ao drenar um humano na casa do casal, Ava quebra uma regra sagrada dos vampiros modernos e é posta pra rua. O casal então decide viajar para Tânger. Mas ao chegar lá um vampiro ancião morre, deixando Eve desolada. Agora Eve também cai em uma profunda crise existencial, ela e Adam então começam a experimentar uma angustia de estarem vivos em um mundo que parece não ligar para eles.

Entre linhas e sangue

Curiosamente o final do filme responde a existência do filme. Amantes eternos parece ter saído dos livros de Anne Rice, Adam é mais um “Lestat” astro do rock, porém menos suntuoso. Os vampiros aqui são mais humanos que nunca, eles não buscam domínio, buscam adaptação e por mais que houvesse alguma aparição pública aqui e ali, eles preferem o anonimato. O desejo por sangue e a relação com os humanos também parece difícil e isso é evidenciado em várias cenas em situações onde o sangue humano é exposto. Fiquei com a impressão de a todo momento ser levado a pensar e refletir sobre a questão predatória e da sobrevivência humana. Seja pelo desejo intenso por sangue dos vampiros, seja pela forma de caça e práticas que eles utilizam.

“Amantes eternos” é um filme inteiramente estético, a trama foi deixada em segundo plano para que pudéssemos experimentar o mundo sob um olhar vampiresco. Esplêndido e simples, a maneira de mostrar o cotidiano das criaturas funcionou muito bem. Obviamente o filme acaba em um estalar de dedos do diretor, ficando aquela sensação de “quero mais” Mas acabamos ficando com uma obra que não falhou com o objetivo de nos levar ao êxtase em cenas e musicas maravilhosas. Se estávamos esperando por vampiros mais próximos do c que seriam na realidade,om certeza esses daqui fizeram seu dever de casa.