A incrível história do vampirismo e Nosferatu

Desde eras imemoráveis, o mito de criaturas da noite ganharam espaço no imaginário coletivo. Várias culturas já relataram história desses seres que possuem como característica em comum, a busca por sangue humano. Mas foi no século XIX que o termo vampiro enfatizou e sintetizou essas histórias. Nosferatu é uma criatura hoje clássica que nasceu do cinema expressionista como a personificação de uma época de medos e angustias sociais na Alemanha pós-guerra.

Para falar um pouco da origem do personagem Nosferatu e vampiros é interessante citar Lilith, uma entidade noturna na tradição judaica/hebraica cristã que é dita como a predecessora de Eva. Além de ser uma deusa cultuada como a deusa do topo da pirâmide em diversas tradições da bruxaria ocidental. Também foi descrita como sendo a própria serpente que convenceu Adão e Eva a comer o fruto proibido e causar o pecado original.

O mito da deusa Lilith e o vampirismo

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Lilith uma deusa das sombras que inspira até hoje grandes histórias de horror

A história mesopotâmica da deusa da escuridão Lilith influenciou e muito nas historias contadas na Europa no período romântico e círculos intelectuais. A personagem é diversas vezes vinculada a mulher que surge no livro de Gênesis. Mas foi a mitologia hebraica que mais ficou marcada durante a escravidão do povo hebreu na Babilônia sobre a entidade. Lilith era descrita como o mau encarnado, que adorava fazer dos homens suas vítimas, além de sugar-lhes o sangue.

Segundo relatos cristãos medievais, Lilith queria vingança por ter que se submeter a ficar debaixo de Adão na relação sexual, desde então busca vingança contra deus e suas criações, os humanos. Segundo histórias ela dava a luz 100 vezes por dia a criaturas conhecidas como Íncubus (masculino) e Súcubus(feminino), também sugadores de sangue. As criaturas ainda podiam manipular sonhos humanos e causar terríveis pesadelos.

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“Lady Lilith” de Dante Gabriel Rossetti, 1866, pintura que enfatiza a beleza e sensualidade da mulher inspirada na deusa Lilith.

O pintor Dante Gabriel Rossetti pintou a figura de Lilith em 1892 de forma a enfatizar sua sensualidade e poder de sedução. Desde então a obra marcou a imagem da deusa e seu arquétipo simbólico de demônio dentro da cultura cristã europeia. Outros artistas romancistas também foram influenciados como Johan Goethe, John Keats, Robert Browning, e John Collier.

A lenda do primeiro vampiro Caim

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O mito bíblico de Caim e sua herança do mal baseada na punição moral de deus e sua transformação em um sugador de sangue

Além do simbolo feminino do mal e sua relação com o sangue. O masculino também ganha sua personificação que seria a do personagem bíblico Caim no cristianismo. Abel e Caim filhos de Adão e Eva entregavam oferendas a deus. Deus não aceitava com bom olhos o que Caim lhe dava, apenas aceitava as oferendas de Abel.

Certo dia Caim chama seu irmão e lhe apunha-la com uma pedra na cabeça, até jorrar o seu sangue. Querendo saber o paradeiro de Abel, deus questiona a Caim o paradeiro do irmão. Ao descobrir o que aconteceu deus expulsa Caim do paraíso e lhe aplica uma punição eterna. Ele não poderia mais ficar sob a luz do sol, além de viver de sangue e vagar na escuridão para sempre.

Caim então se relaciona com os humanos mas percebe que seu tempo de vida era muito curto comparado ao seu tempo de vida. Diante disso ele então passa a transformar os humanos nos primeiros vampiros que povoariam a terra. A partir dai surgiram os clãs de vampiros espalhados   pelo mundo.

O vampiro europeu moderno

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O vampiro moderno pop Lestat interpretado por Tom Cruise, baseado na obra gótica de Anne Rice “A entrevista com um vanpiro”

The Vampyre (O vampiro) escrito por Christopher Frayling foi uma obra de horror gótico cuja história se passa em Londres. No livro o protagonista Aubrey se envolve com um misterioso nobre britânico chamado Lord Ruthven, um vampiro.  As mortes que começam a surgir em volta dos dois personagens revelam a verdadeira natureza sanguinária de Ruthven. E foi a partir desse livro que a imagem do vampiro moderno e aristocrata foi sendo moldada.

Um homem com características civis impecáveis, de classe social abastada e intelectual é a camuflagem perfeita para os vampiros modernos se infiltrarem na sociedade e caçar suas presas. Mas foi em 1897 que Bram Stoker lançou Drácula, obra que ficou marcada até hoje em referencia da lenda dos vampiros no ocidente.

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Em Drácula de 1992, Gary Oldman encarna perfeitamente a face de Drácula de Bram Stoker

A história é escrita de forma epistolar, ou seja em forma de cartas onde os personagens narram a trama do seu ponto de vista. O protagonista do livro é Jonathan Harker, um advogado inglês  recém formado que  tem como cliente Conde Drácula. Aos poucos descobrimos a terrível face do conde que queria nada menos que sugar Jonathan. Drácula é um homem extremamente culto e persuasivo mas além disso possui poderes sobre-humanos para atrair suas presas.

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A saga de vampiros e lobisomens pós apocalíticos em “Anjos da Noite” dirigido por Len Wiseman em uma fantástica trama futurista

A trama do livro se passa entre Londres e Transilvânia. O livro nos imerge em um universo sombrio onde o conde é extremamente temido.A síntese das características dos vampiros em Drácula influenciou e influencia até hoje toda uma geração de produções artísticas em diversas áreas. A partir dai os vampiros expandiram suas historias e versões de lendas em volta do globo.

O surgimento de Nosferatu

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O jogo de luz e sombras em Nosferatu traz uma alegoria expressionista e uma critica social esplêndida

Nosferatu nasceu de uma adaptação da obra de Bram Stoker. No caso nomes e lugares foram alterados para dar lugar a uma outra versão da história. No entanto o conceito é o mesmo, um jovem burquês e corretor de imóveis Knock é enviado aos Montes Cárpatos para negociar com o misterioso Conde Orlok.

No inicio a empolgação de Knock dá lugar ao desespero e medo ao conhecer os poderes de Orlock e sua sede por sangue. Orlock personifica o mal, sendo ele a própria criatura Nosferatu. Com o corpo esquelético e aparência devastada ele exibe em sua aparência a degradação humana. Sua sede por sangue o condenou por toda eternidade como um ser das sombrias em uma caça pela próxima presa.

Lançamento e Polêmica

O filme mudo impressiona pela direção poética e é embalada pela trilha sonora que no filme quase que ganha voz.O lançamento do filme causou certo tumulto e uma briga por direitos autores entre os produtores do longa e a família Stoker. Por consequência a justiça ordenou que várias copias do filme fossem destruídas, mas algumas sobreviveram e foram restauradas.

Nosferatu personificou o mal estar social da época ao tocar no tema da morte do cinema e focar o desespero coletivo a respeito do tema. O ícone do cinema expressionista, Nosferatu é uma alegoria da loucura do homem moderno e a crise que se instalara na Alemanha pré-guerra. O sangue, os ratos (Simbolo da Peste Negra), o oculto e a insanidade mescla as angustias existências de uma época turbulenta e complexa.

Portanto a figura de Nosferatu marcou uma geração e dentro da história do vampirismo acrescenta sentido e subjetividade.

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